Diferente dos contos de fadas e das histórias que nós ocidentais estamos acostumados a ler ou
ouvir desde a mais tenra infância, os contos hindus não se preocupam com um
final feliz e sim, com as lições de vida que os mesmos encerram.
São ao mesmo tempo baseados na realidade da vida e filosóficos.
São ao mesmo tempo baseados na realidade da vida e filosóficos.
Leia o conto abaixo e depois faça uma reflexão: que lição ou lições de
vida este encerra.
A CURA
Um famoso médico com excelente memória e saúde, tinha hábitos bem
regrados e nunca abria mão deles. No final da tarde, saia de seu consultório para
jogar golfe e, não abria mão deste hábito, assim como de outros que tinha. E, segundo ele, estes
hábitos somados à disciplina lhe
garantia saúde e boa memória.
Certa tarde, quando já estava pronto para sair, um velho aborda-o na
porta de seu consultório:
- Doutor, meu filho está muito doente, está morrendo. É meu único filho,
olhe-o por favor.
O menino estava enrolado em um cobertor deitado no chão. Mas, o médico que
não queria atrasar-se para o jogo, falou:
- Traga-o amanhã bem cedo e eu o atenderei.
- Doutor, ele vai morrer até amanhã. – O velho implorou, ajoelhou-se e
prostrou a testa no chão. Mas nada fez o médico mudar de ideia.
- Se seu filho não resistir até amanhã, de nada adiantaria eu olha-lo
agora. - Disse o médico afastando-se.
Muitos anos se passaram. O médico também tinha um filho, agora jovem. E este, gostava
muito de encantar cobras venenosas cantando.
Em certa ocasião, o filho do médico ofereceu uma festa para os amigos. Sua namorada, solicitou que este mostrasse aos amigos como ele conseguia encantar as cobras com sua canção. O rapaz não queria fazer isto, disse que as cobras não estavam acostumadas com muitas pessoas e poderiam se agitar, seria perigoso. A moça insistiu e alguns convidados ao ouvirem o pedido dela, ficaram curiosos e começaram também a insistir em ver as cobras.
Em certa ocasião, o filho do médico ofereceu uma festa para os amigos. Sua namorada, solicitou que este mostrasse aos amigos como ele conseguia encantar as cobras com sua canção. O rapaz não queria fazer isto, disse que as cobras não estavam acostumadas com muitas pessoas e poderiam se agitar, seria perigoso. A moça insistiu e alguns convidados ao ouvirem o pedido dela, ficaram curiosos e começaram também a insistir em ver as cobras.
O jovem rapaz, diante de tanta insistência, cedeu. Pegou a mais venenosa das
cobras, pelo pescoço, e antes mesmo de começar a encantar a cobra com seu canto, um dos convidados perguntou:
- Ela não tem presas, não é?
- Tem sim! - respondeu o jovem - Não teria graça nenhuma encantar cobras
sem presas. Não haveria desafio algum.
Todos os jovens começaram a discorrer em voz alta sobre o assunto. E, em
virtude do barulho e da movimentação, a qual não estava acostumada, a cobra
começou a agitar-se. O jovem ficou preocupado e nervoso. E, em vez de cantar como de costume, por ter ficado nervoso, começou a apertar o pescoço da cobra, para que esta não se
movimentasse mais. A cobra sentindo cada vez mais o pescoço apertado, na ânsia de
salvar a própria vida, parou de mover-se.
- Ela está morta, disse um dos convidados.
Ao pensar que havia matado a cobra, o jovem fica muito triste, soltando-a no chão. Esta, imediatamente, percebendo-se livre, vira-se e o pica.
Não havia antídoto para o veneno desta cobra e o jovem começa a passar mal.
O médico fez tudo o que estava a seu alcance, mas o filho ficava cada vez pior.
O médico fez tudo o que estava a seu alcance, mas o filho ficava cada vez pior.
Um dos convidados lembrou-se que conhecia um velho que sabia lidar com
tudo o que era relacionado a natureza e aos animais. Se alguém poderia fazer alguma coisa,
seria ele.
- Vá, disse o médico, traga este homem, pago-lhe o que ele quiser, para
que venha. E se ele salvar meu filho, dou-lhe metade de tudo o que tenho.
O convidado saiu correndo para chamar o velho. Um bom homem bom, que estava sempre disposto a ajudar todas as pessoas. E apesar de muito pobre,
nunca cobrava nada por seus préstimos. Mas, este velho era o mesmo que o médico
não quis atender quando o seu próprio filho estava morrendo.
O rapaz conta ao velho o que aconteceu na casa do médico.
A vontade de vingar-se imediatamente toma conta da mente do velho.
O rapaz conta ao velho o que aconteceu na casa do médico.
A vontade de vingar-se imediatamente toma conta da mente do velho.
- Meu filho - diz o velho - tinha
uma doença que com o meu conhecimento, eu não conseguia curar. Mas o médico, com o conhecimento dele poderia cura-lo e não o fez. Agora, o filho dele está envenenado e isto ele não pode curar. Irei amanhã cedinho.
- Mas até amanhã, meu amigo já estará morto. - diz o rapaz.
- Não irei amanhã para curá-lo e sim para ver o médico sentir a mesma
dor que eu senti quando o meu filho morreu.
O rapaz foi embora e o velho deitou-se para dormir. Mas, várias vezes
levantava-se indo em direção à porta. Sua mente queria vingar-se do médico, seu
coração queria salvar o jovem.
Passou horas em tal dilema, dizendo a si mesmo que esta vingança aliviaria a dor da perda de próprio filho. Entretanto, em uma das vezes que chegou a porta, quase sem perceber, acabou saindo de casa e quando viu já estava batendo na porta da casa do médico, que pelo transtorno da dor e do desespero, não o reconheceu na hora.
Passou horas em tal dilema, dizendo a si mesmo que esta vingança aliviaria a dor da perda de próprio filho. Entretanto, em uma das vezes que chegou a porta, quase sem perceber, acabou saindo de casa e quando viu já estava batendo na porta da casa do médico, que pelo transtorno da dor e do desespero, não o reconheceu na hora.
O velho disse que tentaria salvar o jovem. O médico o levou até o
quarto. Ao ver o jovem já moribundo, o velho pediu que lhe trouxessem muita
água. E, enquanto derramava água na cabeça do jovem agonizante, canta um mantra
de cura.
Quando o dia amanheceu, o médico olhou
bem para o velho e o reconheceu. Neste mesmo momento, seu filho abre os
olhos e o velho diz ao médico:
- De água para ele beber.
Enquanto o médico se ocupa em dar água ao filho que acaba de recuperar a
vida, o velho vai embora sem que ninguém perceba.
Vendo o filho fora de perigo o médico em vão procura pelo velho. Então, diz à sua esposa que vai procurar
aquele velho homem.
- Para pagá-lo? – pergunta ela.
O médico conta a esposa o ocorrido anos atrás e com muita vergonha e
remorso diz:
- Não. Não vou oferecer-lhe nenhum pagamento. Porque certamente ele não aceitará. Vou me
jogar aos seus pés e implorar o seu perdão. Minha alma só sentirá paz outra vez
se ele me perdoar.